quarta-feira, 8 de junho de 2011

... Segredo ...

Gosto do impossível, tenho medo do provável, riu-me do ridículo e choro porque tenho vontade, mas nem sempre tenho motivo...
Tenho um sorriso confiante que às vezes não demonstra o tanto de insegurança por trás dele...
Sou inconstante e talvez imprevisível…
Não gosto da rotina...
Eu amo de verdade aqueles que me rodeiam e que de coração chamo amigos…
Nem sempre coloco em prática aquilo que eu acho certo...
São poucas as pessoas para quem eu me explico...

sexta-feira, 3 de junho de 2011

O rapaz que não sabia sonhar...


Era uma vez um rapaz que não sabia sonhar. O sonho tinha-lhe morrido nas mãos, tinha-lhe escorrido pelos dedos, tinha criado um lago de paz e serenidade onde ele nunca se sabia banhar.
Nesse lago surgiram sereias, pequenas fadas, homens sábios, crianças nuas, mulheres tolas, unicórnios e sorrisos.
Só o rapaz que não sabia sonhar não via que a ausência de sonho era Mãe daquele cenário tão único.
Sentou-se a ver a sentir o Sol queimar-lhe a pele branca e os dedos percorriam a areia da praia, da praia que era tocada pelo lago do seu sonho.
E ele não o sentia.
Então um dia choveu. Choveu muito e o rapaz-que-não-sabia-sonhar não se quis abrigar da chuva. Quis ficar sentado numa rocha antiga e pintada de prata (mas ele não via a prata só via a rocha) a ouvir o vento zangado. Nunca ninguém lhe disse que o vento estava zangado porque o rapaz-que-não-sabia-sonhar era seu neto afastado (nas linhas da hereditariedade ninguém nota o trabalho moroso da natureza para tornar o avô vento num rapaz branco e que não sabe sonhar) e então rugia, rugia enlouquecido de dor e mágoa pela definitiva perda do sorriso desse seu neto tão belo, tão branco, tão só, tão sem sonho.
Quando a chuva terminou o rapaz deitou-se devagarinho na lama, criou raízes e tornou-se num carvalho imponente e grande. Os seus ramos cresceram mais altos que todos os outros, mais longe que todos os outros, mais perfumados que todos os outros.
As folhas cresceram, depois delas pequeninas flores brancas e em seguida suculentos frutos de pele lustrosa e sabor ácido.
Ao seu lado o lago morria. O lago que nascera dos seus sonhos, dos seus sorrisos, das suas inocências resgatadas e eternizadas nas águas azuis e serenas.
Os anos passaram. O Sol brilhava intensamente no lago dos sonhos do rapaz-que-não-sabia-sonhar. As fadas voaram, o unicórnio tornou-se decadente e quebrado, as sereias asfixiaram queimadas pelo sol e choraram porque nunca mais a chuva viera abençoar de vida o lago de Sonho.
Só ficaram as águas serenas e tristes e o carvalho já antigo, já rugoso, já cansado de estar ali de pé a ver o tempo correr.
Até que numa tarde de primavera, o carvalho-cansado-antigo-rugoso que fora o rapaz-que-não-sabia-sonhar, sentiu a seiva subir pelo tronco e sairem por frestas que se abriram na casca grossa, descerem atraídas pela força da gravidade, como lágrimas leitosas e puras.
O vento rugiu e a chuva voltou a cair no vale, numa torrente que parecia nunca mais parar... O velho carvalho gemeu e as suas raízes libertaram-se do chão e fizeram-no cair, desamparado na terra que tantos anos o tinha alimentado e protegido.
Não conseguia mais suportar a solidão, nem os pássaros, nem os animais que alimentava conseguiam dar sentido à sua existência . A chuva continuava a sulcar a terra furiosamente. O vendaval continuou por três noites.
No final da terceira noite a chuva finalmente começou a ceder. O ar foi cortado por um choro e abrigado nas raízes do velho carvalho estava uma criança, um bébé pequeno, branco e magro, um ar de anjo nas bochechinhas rosadas.
Um homem resgatou-o. Um homem bom e pobre que o criou entre bolotas, sorrisos, sonhos e lendas.
Ele cresceu e tornou-se um rapaz bonito e saudável. Mas um dia acordou... Acordou e descobriu que não sabia sonhar.
Então desceu, banhou-se no lago de águas paradas e podres e quando saiu deitou-se ao lado do carvalho, as mãos a percorrerem o tronco musgoso.
Deitou-se e ficou ali muitos, muitos anos. O vento nunca mais tocou o carvalho cansado e o seu habitante febril.
Dizem que ele ainda lá está, deitado no carvalho a alimentá-lo das suas lágrimas e pedaços de sonho que nunca coube sonhar.
As fadas vão afagá-lo de vez em quando, dizem os habitantes daquela vila. Ele não as sente, porque só sabe chorar e afagar o carvalho antigo.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Ser criança...

Ser criança..
Essa sinceridade de ver tudo como deveria ser..
Essa felicidade de ter alegria nos olhos..
Essa simplicidade de ser símbolo de amor..
De paz.. De liberdade.. De inocência.. De pureza..
Essa realidade de viver num mundo perfeito..
Essa capacidade de inventar o faz de conta..
De viajar em fantasias..
De viver em contos de fadas..
De habitar jardins de alegria..
Esse dom de sorrir
Com risos enfeitiçados de magia..
Esse poder de nascer de novo a cada dia..
Todos temos uma criança dentro de nós..
Eu tenho.. E tu?
Vamos deixá-la despertar para a vida..
Libertar toda a beleza da simplicidade de sentimentos..
Vamos experimentar tudo de uma forma simples..
Em gestos.. Em olhares.. Em sorrisos..
Vamos brincar a viver a vida.. A paz.. O amor..
Vamos brincar ao ser sinceros..
Vamos brincar ao ser capazes de amar..
Vamos brincar ao fazer amor..
Vamos brincar ao olhar nos olhos..
Vamos brincar ao entregar-se...
Vamos brincar ao ser feliz..
Vamos brincar ao viver..
Vamos brincar ao SER CRIANÇA..

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Queria...

Poder Voar....
Voar bem alto...
Ver o mundo lá de cima....
Aterrar....
E voltar a voar...
Fazer pontaria....
Sujar alguém....
Aterrar....
E voltar a voar...
Cantar....
Abrir as asas....
E voar....
E por fim....
Aterrar...
Sacudir-me...
para voltar a voar ...

segunda-feira, 16 de maio de 2011

É verdade que acontece...

Quando menos esperas surge alguém, que te faz acreditar que viver faz sentido... Que as tuas lágrimas não precisam cair, só o facto de te agarrar na mão faz-te sentir especial... Sentes que o teu sorriso, pode mudar a vida de alguém e então ponderas que sejas o tal.
Por vezes parece que o mundo pára e só existes tu e ele, as borboletas no estômago são reais… Ainda existem coisas puras...
Não surge quando mais precisas, vem em qualquer altura como que caído do céu e de repente é como se sempre tivesse existido... E pedes para existir para sempre, deixas de te preocupar com ter calma.
O facto de ser intenso tira-te o fôlego, mas é o que te faz respirar e descansas, porque sabes que por mais baixo que grites essa pessoa vai sempre ouvir-te!
Mas dúvidas...porque o medo não desaparece... Mas dúvidas com toda a certeza que podes confiar... Mas queres sempre confiar mais... E talvez amanhã estejas mais tranquila…
Então pensas que isto seja parecido... parecido com o … sim, isso mesmo o ... =) …

terça-feira, 10 de maio de 2011

Aproveitar o momento...

É necessário abrir os olhos e perceber que as coisas boas
estão dentro de nós, onde os sentimentos não precisam
de motivos nem os desejos de razão.
O importante é aproveitar o momento e aprender a sua duração,
pois a vida está nos olhos de quem a sabe ver.

Gabriel Garcia Marquez

sábado, 30 de abril de 2011

Porque hoje sinto medo...

Há alturas na vida, em que a cada segundo que passa e a cada passo que dou, a vida teima em pôr-me à prova. As responsabilidades são cada vez maiores, os sentimentos são cada vez mais fortes e quando não o são, acabam por desaparecer… cada vez passo a dar mais valor às pequenas coisas da vida… as palavras são todas elas sentidas de maneira diferente… as que antes não magoavam, hoje são como facadas nas costas, as que antes não faziam sentido, hoje sem elas o meu dia-a-dia não é nada… sinto-me a crescer dia para dia, e tremo o meu futuro, receio a minha vivência neste pedaço do Mundo… tenho medo de não saber dar o devido valor, às pessoas que mais amo nesta vida que me pertence, neste mundo que me rodeia… tenho medo de não ser amada, como desejo… tenho medo acima de tudo de não viver tudo o que idealizo, da forma como idealizo, da maneira como vejo o meu futuro e de como o desejo viver…Às vezes quando dou por mim sossegada a olhar o céu, e a contar a estrelas, sinto-me perdida, sem rumo e/ou paradeiro… sinto-me neste Mundo, a flutuar num rio que desagua no mar, onde me perco em pensamentos e sentimentos, muitos sem o mínimo de significado… tão depressa sinto vontade em gritar ao Mundo, o quanto sou feliz aqui e assim… como uma enorme vontade, de pedir para viajar para longe, onde não exista ar para respirar, nem sol para me fazer brilhar… onde lá possa ser só eu… um pedaço de mim é dominado pelo mais forte que tenho de mim, pelo que tento controlar, e não consigo… tenho medo… tenho medo de perder aqueles que amo… o medo de sofrer é enorme… rolam lágrimas, resultado de uma tristeza enorme, por sentir medo… de perder…

sexta-feira, 29 de abril de 2011

... Príncepe ...

As pessoas têm sonhos, metas, ideais... as metas nem sempre são alcançadas como as conjecturámos, mas isso não é difícil de aceitar, porque só o alcançá-las faz com que valham a pena. Os ideais, esses já são um pouco mais complicados... perdemos uns, outros mantêm-se toda a vida, porque acreditamos neles, apesar de nunca se concretizarem. No fundo nunca passam disso mesmo: ideais. Até porque se se concretizassem deixariam de o ser...
O pior de tudo são os sonhos... E simultaneamente o melhor. Os sonhos são o único meio de transporte disponível que nos leva a voar, são a única forma de fazermos tudo o que queremos, são o único mundo em que tudo é possível, em que não há ordem nem lógica. Há vontades, desejos, ambições, imaginários criados, reinventados.
Todas as mulheres sonham, acho eu, nalgum momento da sua vida, encontrar um homem perfeito. A metáfora do príncipe no cavalo branco é certamente a que melhor exprime esse desejo, esse sonho. Por vezes as pessoas não percebem bem a essência da metáfora... Não interessa se ele chega a cavalo, se chega de Porsche, Renault ou a pé. Não interessa que seja um príncipe em riqueza. São os momentos em si que interessam... aqueles momentos que, na realidade, só nos filmes conseguimos ver. Interessa se o nosso suposto "príncipe" nos respeita e acarinha, tudo faz para nos ver feliz... Interessam os gestos de cavalheirismo quando nos deixa passar sempre em primeiro lugar nas portas, interessa que se recorde das datas importantes... Interessam os pequenos presentes cheios de simbolismo: as flores, os passeios, as carícias...
E depois... pensamos que nada é assim. E esperamos e nada acontece assim... Nunca nada se adequa às nossas expectativas, nunca nada é tão perfeito quanto imaginámos...
E chegamos a afirmar que os "príncipes" não existem. O problema é que eles existem e são os que estão mais próximos de nós, mas também mais discretos... São sempre aqueles em que não reparamos. Que a toda a hora nos tentam dar subtis provas do que por nós sentem: em cada gesto, em cada tentativa de corresponderem aos nossos caprichos, em cada olhar fraterno que nos dão... E nós?
Permanecemos indiferentes, rodeadas de grandes amigos, permanecemos indiferentes e cegas, à espera de um cavalo que já não vem, à espera de um príncipe que já chegou...